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Blog do Gervásio
 


Mastigamos rebeldia e arrotamos conservadorismo

   Na mente e nos corações dos cidadãos não há espaço para rebeldia. Isso é histórico e nos transforma em seres bovinos que dizem amém a tudo. Nossos jovens já estão velhos e quando trabalham é por um consumo sem medidas e por uma aposentadoria confortável. Nada mais!
   Não cabe em nosso repertório o rebelde! Rebeldia aceitável só na forma de um rock xoxo da MTV, da tatuagem institucional, dos piercings comportados, das baladinhas, da cara cheia de álcool, do sexo rápido. A falsa rebeldia de um mundo cheio de sensações e poucas emoções. Rejeitamos o jovem do OcupaSãoPaulo, o universitário que reclama da polícia, do artista de rua... mas aplaudimos o ogro na política, a celebridade instantânea, o cara que roubou e se deu bem! Rebeldia é sinônimo de mico.
   Ontem, nossos representantes aprovaram o código florestal que anistia desmatadores e amanhã, em troca, os ruralistas vão enterrar a Lei da Ficha Limpa. Ninguém – ou quase ninguém – se rebela. Como seres do Brasil maravilha, rejeitamos tudo que nos tira de nossa sonolência. Queremos apenas trabalhar – não muito -, cuidar de nossa vidinha, melhorar o salário pessoal nem que para isso seja necessário puxar o tapete do colega.
   Não nos identificamos como povo. Povo são os outros. O povo vota mal, não respeita o semáforo, a faixa do pedestre, se dá bem furando a fila, paga propina, faz gambiarra na TV a cabo... Negamos tudo e dizemos que isso é coisa do povo, essa entidade mal educada, com baixa escolaridade e que não merece coisa melhor!
   Somos um país jovem de velhos precoces. Reprimimos qualquer rebeldia. Fomos condicionados a compor um mundo individualista, sem solidariedade, sem camaradagens, sem demandas coletivas. O outro é apenas mais um concorrente, um estorvo a ser ultrapassado.
    No oceano do inconsciente coletivo, naufragam nossas mentes individualistas. Cada um por si e os demais, contra.
   Não existe a busca pelo renovador, apenas pela novidade a ser consumida.



Escrito por Gervásio às 19h47
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Chibata! João Cândido e a Revolta...

GibiJoão Cândido está presente em nossa historiografia.

Tem até gibi contando sua historia.

Mas merece muito mais. Ainda mais que

estamos em pleno centenário do acontecido.

 

JOÃO CÂNDIDO - o grande líder sindical

hoje é nome de petroleiro - Lula - Petrobras.

Justa homenagem, como justa foi a grita

aos maus tratos: cordas - agulhas no lombo da marujada

que “tocava” a terceira maior potência naval do mundo.

A senzala brasilis navegava mares afora

Em alta e caríssima tecnologia

“Havia que se fazer o reparo!”

 

O sentimento no baixo convés revelou-se

numa noite de Novembro de 1910

Canhões apontam a posse do presidente

República das Bananas e dos Cafés.

Sob o fogo do baixo convés

Governos federal, distrital... perdidos

 

Chefe da polícia determina ao Congresso

Que cuidasse de tão delicada questão

Cena carioca - entremeio de poderes

 

Rui Barbosa, coisa e tal e sai a Anistia

A toque de caixa para alívio geral.

Mas a Marinha nunca iria engolir tal afronta

Golpes - ameaças de golpes - Estado de sítio

 

E chega a hora da Caças às Bruxas

João Cândido, o primeiro herói do século XX

O primeiro mártir do século XX sob

sob a bota do algoz que cala-boca no baixo convés....

 

Eles só queriam o fim da humilhação

E por aí vai. 

 

Tem até trilha sonora oficial

O mestre sala dos mares - João Bosco e Aldir Blanc...

Dupla que teve o auxílio luxuoso de cineastas

O mestre-sala dos mares

Elis, cousa e lousa...

 



Escrito por Gervásio às 22h36
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Valsa com Bashir... documentário animado israeli

Chegou nas melhores bancas Piratas

Valsa com Bashir... Documentário animado israeli

Talvez o primeiro. Candidato a Oscar 2010

Sem glamour - um  cotidiano em guerra geral

Xock! Total Xock! Total Xocking!

 

Oriente Médio insano em meio ao sono

Massacre de Sabra e Chatila

Onde trevas vomitaram ferro e fogo

No campo cercado por tanques

                                                  

O terrível e pouco falado massacre

nos campos de refugiados palestinos

Sabra e Chatila, na parte Oeste de Beirute.

Inocente associação israelo-libanês...

Máquina militar judaica make up grade in milícia cristã.

 

Soldados israelenses soltavam sinalizadores na noite escura,

Iluminava-se o genocídio. Os próprios israelenses não viam

O terrível e pouco falado massacre

nos campos de refugiados palestinos

 

As cenas do massacre chegam a binóculos...

Militares, em cima dos tanques a tudo assistiam

Alertadas, autoridades não perderam o sono

Palestinos eram os judeus de Auschwitz.

no terrível e pouco falado massacre...

 

Ao final, senti que a Guerra é

um estado intermitente de terrorismo.

É a iminência do castigo cumprido,

O testemunho da barbárie realizada.

 

Tudo contado por animação.

“Não tivemos coragem de mostrar em cenas”,

Confessa o diretor.



Escrito por Gervásio às 22h19
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Bruno e o Flamengo – He-Man II

 

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, definiu bem a Síndrome de He-Man que acomete Bruno: “Somos heróis! Podemos tudo!” E era assim que Bruno via a sua vida e a vida ao seu redor. Clareza da presidente do mesmo clube que possibilitava que fortunas rolassem para as mãos desse jovem brasileiro, com personalidade em formação, vindo de um Brasil periférico, cheio de carências, rodeado de tensões sociais, violência urbana, ausência de Estado e aproveitadores de todos os lados.

Creio que cabe alguma responsabilidade da entidade que se define como clube, cujo papel – intuo eu – seja o de socializar (com atenção ao sentido pedagógico), de participar da formação moral e ética desse associado em especial, um profissional contratado pelo clube.

Você pode dizer que estou equivocado, que o buraco é mais embaixo, que tudo é questão de faturar. Apenas negócio. Bom para todos os envolvidos. Todos ganham e o que cada um fizer com sua grana é uma questão pessoal. “O dinheiro é deles”. Afinal, capitalismo é sinônimo de oportunidade... moral à parte. O resto é chorumelas.

Mas eu insisto. Nas escolas, nas empresas, nas associações... enfim em todas as instituições, é exigido um comportamento adequado não só no local de freqüência, de atividades, de trabalho, como também em sua vida pessoal, em seus aspectos sociais, psicológicos e emocional.

É para essas instituições que muitos jovens são atraídos na esperança de se tornaram bem sucedidos na vida. Essas instituições devem preparar esses jovens bem pagos a agir de forma responsável no uso de suas finanças. Dado a comoção que a tragédia de Bruno retumba, o que esse jovem faz de sua vida pessoal é da conta “dos outros” sim. É da conta de toda a sociedade.



Escrito por Gervásio às 00h08
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COMPLEXO DE HE-MAN

 

 

“O que o goleiro Bruno, o advogado Mizael e o jornalista Pimenta das Neves têm em comum”, perguntou Datena, nesta semana. Gostaria de acrescentar à lista o J Simpson. Eles crêem – e de verdade, foram convencidos disso - que tudo podem, ao que alguém já chamou de Síndrome de He-mam. “Eu tenho a força!”, e portanto: tudo posso!

Podemos dizer que a Síndrome de He-mam é uma seqüência lógica, uma “evolução” sociopsicogenética da síndrome de Peter Pan que, em versão atualizada, permite ao candidato a herói vencer não apenas o Capitão Gancho, mas tudo o mais fora da Terra do Nunca. Essa certeza é fruto da infantilização geral, marca registrada da nova em voga – global e consumista. Aliás, incluo J Simpson para deixar claro que o drama é geral, universal.

A nova síndrome tem como genitores a impunidade e o poder de corromper. O indivíduo acometido desse mal tem parâmetros infantis. Entende mais de desenhos animados que do noticiário nacional e internacional. E nossos representantes nacionais com certeza ignoram uma tal Maria da Penha, a cidadã, sua história, seu drama, sua luta, a lei!

 

 



Escrito por Gervásio às 20h20
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Escrito por Gervásio às 19h50
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Rios Voadores

“Haverá um dia em que os rios morrerão de medo

e que os pobres morrerão de fome.

Josué de Castro – 1940

 

Se conseguirmos tornar a floresta amazônica em pastos e plantações de soja e até mesmo de cana-de-açúcar, alguns poucos vão ficar mais ricos e todos passaremos a viver num clima desértico. São Paulo será, então, algo como uma Bagdá, cercada de desertos e pobreza extrema. Haverá enorme escassez de água, o que deve gerar muitos conflitos, principalmente nas cidades já que os campos estarão deserticamente desocupados, abandonados. Recuperação de solo é muito caro e há, sim, solos irrecuperáveis.

A forma de produção agrícola no país tem a forma mais agressiva, mecanizada e mercantilizada de todas. Por isso, é considerada um top model pelo poderoso lobby multinacional das indústrias de agrotóxicos, sementes e máquinas agrícolas, principalmente nas plantações de milho e soja. A plantation é o modelo arcaico usado até hoje. Modernas (sic) só as máquinas que compactam um solo que ontem era uma floresta e hoje não passa de solo cru, arenoso, açoitado por chuvas torrenciais alternadas pelas altas temperaturas trópico-equatorianas. Estão prontos todos os ingredientes para transformar aquela exuberância num Deserto Amazônico.

Há ainda aqueles que inocentemente crêem que o mercado tem cérebro, inteligência e senso de justiça - como se por Deus fosse abençoado – e, como tal, não nos daria um futuro tão miserável e quente. A meta do agrobusines é derrubar a floresta, transformar tudo em hambúrgueres, soja para suínos europeus e asiáticos e ganhar muitos eurodólares. O morador do sul e sudeste vai calar-se com a boca cheia de mais e mais churrasco. É só medir custos e benefícios. Vamos pagar esse churrasco com areião de um deserto, a 50°C. Há quem duvide.

Cientistas, como o meteorologista Pedro Dias, da USP, estimam que, na estação chuvosa, até 70% da precipitação caída em São Paulo depende da água evaporada na Amazônia e para cá arrastada em nuvens, numa espécie de rios voadores. Ele lembra ainda que uma árvore adulta expele até 300 litros de água por dia. Ou seja, se acaba a floresta lá, pára de chover aqui. Deserto lá e deserto cá!

Outro que levanta a voz é o abnegado professor Enéas Salati, da Esalq-USP, que estuda fenômeno há 20 anos. Salati explica que os ventos dominantes na Amazônia sopram de leste para oeste, em função da rotação da Terra, batem nos Andes e viram-se para o sul, descendo para o Prata. O volume de água transportado pelo ar adquire a grandeza do Rio Amazonas, com 200 mil metros cúbicos por segundo (*). A mesma água que o Amazonas despeja no Atlântico, se espalha pelo centro-sul-sudeste do Brasil. Isso sim é inteligência abençoada.

 

(*) A descarga do rio Amazonas é, por larga margem, a mais volumosa (do mundo). Em junho de 1963, o U.S. Geological Survey mediu a vazão do Amazonas em Óbidos, encontrando um valor de 216.342m3, de água, por segundo”. Calcula-se que igual quantidade e intensidade “deságua” no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, transpostas. em forma de nuvens Manah que torna viável a vida nessa região

 



Escrito por Gervásio às 17h00
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Aqui pretendo publicar minhas opiniões



Escrito por Gervásio às 20h44
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